Quem tiver lido a comunicação de Guillermo de la Dehesa sobre "Fiscal and Competitive Tensions within the Euro Area" apresentada no III diálogo monetário da Comissão do Parlamento Europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, em 22 de Março, teria observado uma semelhança notável com a Declaração dos Chefes de Estado e de Governo da Zona Euro, de 25 de Março, sobre a acção coordenada a tomar para salvaguarda da estabilidade financeira da Zona Euro como um todo (reconhecendo que a Grécia não havia ainda solicitado apoio financeiro). A solução recomendada era um pacote que envolvia substancial financiamento do FMI e um montante maioritário de financiamento Europeu, através de empréstimos bilaterais de Estados Membros. Não importa a cuidadosa linguagem nem a natureza defensiva do texto, para concitar todos sem rejeições. O que importa é salientar que das quatro hipóteses na mesa, foram rejeitadas: (a) deixar falir a Grécia; (b) esperar pela criação de um Fundo Monetário Europeu; (c) levar os 16 da Zona Euro a criarem Eurobonds. Não interessa agora os méritos das rejeitadas, apenas a previsibilidade do artigo de De la Dehesa.
Um segundo exemplo, este de previsibilidade da Zona Euro: a falta de um sistema de regulação financeira e monetária supra nacional; a natureza sub-óptima da União Monetária; a ridícula dimensão do orçamento da UE; a escassa mobilidade de mão-de-obra na Europa; a fragilidade do PEC como mecanismo excessivamente pró-cíclico para substituir a ausência de estabilizadores automáticos; e finalmente a inexistência de uma cláusula de salvação final (bail-out) que criaria problemas em recessões assimétricas. Tudo previsível há mais de 15 anos. O que prova que a economia política é sempre mais previsível que a economia real, ou não fosse aquela, economia normativa.
António Correia de Campos, deputado ao Parlamento Europeu
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